Claudia Zanatta

Plantio na Praça Brigadeiro Sampaio | Claudia Zanatta (org.)

“Como parte das atividades propostas pela Exposição Museu Baldio, no dia 17 de agosto, integrantes do coletivo de artistas e moradores do Centro Histórico de Porto Alegre fizeram o plantio de uma árvore nativa na Praça Brigadeiro Sampaio, próxima à CCMQ. A iniciativa, coordenada pela bióloga e artista visual Claudia Zanatta, uma das participantes da exposição, passou pela avaliação e aprovação da Secretaria Municipal do Meio Ambiente de Porto Alegre (SMAM).

O parecer emitido pela bióloga da SMAM Bibiana Cassol assinala o quanto o histórico da Praça Brigadeiro Sampaio dialoga com a proposta do Museu Baldio, no que diz respeito à recuperação sócio-ambiental de espaços degradados. “Há registros de que o local onde se situa a praça caracterizava-se como um lugar ermo, de mau aspecto; serviu de cemitério dos primeiros colonizadores; foi local de execuções por enforcamento de condenados à morte (Largo da Forca)”, lembra a bióloga Bibiana.

Conforme o documento da SMAM, a área que abrigava estaleiros da construção naval na Praia do Arsenal, foi aterrada, ajardinada, arborizada e urbanizada entre 1856 e 1859, recebendo um chafariz e passando a ser chamada Praça do Arsenal. Posteriormente, em 1860, chamou-se Praça da Harmonia, período em que recebeu nova arborização, com o plantio de 94 árvores. Em 1878, a área acolheu um rinque de patinação, sob licença da Câmara de Vereadores, tendo o nome alterado para Praça Martins de Lima. Em 1920, a área é desfigurada, tornando-se canteiro de obras durante a construção do porto. Em 1930, passa a ser denominada Praça Três de Outubro, em homenagem à Revolução daquele ano, porém, mantém-se descaracterizada até 1965, quando é promovida uma campanha pelo Estado e posteriormente pelo Exército para a reurbanização do espaço, que assume a atual denominação de Praça Brigadeiro Sampaio.

A espécie nativa escolhida para permanecer na área pública como legado da Exposição Museu Baldio foi uma caneleira ferrugem (Nectandra oppositifolia).

A espécie de grande porte, típica da Mata Atlântica, tem como característica a copa densa, com folhagem de coloração ferrugínea e flores brancas. Indicada para paisagismo em grandes espaços, a caneleira ferrugem dá frutos muito apreciados por aves e pequenos mamíferos.
O ato de plantio da árvore também prestou uma homenagem à moradora Betty Kunz, que reside há quase 40 anos no Centro Histórico. Em uma ação coletiva, ao longo de quatro meses, a árvore estará sendo regada diariamente em um rodízio entre a equipe da CCMQ e moradores do entorno da Praça Brigadeiro Sampaio, que assumem a tutela da caneleira ferrugem.”

por Ludwig Larreg em http://www.ccmq.com.br/noticias/783/ultimos-dias-para-visitar-a-exposicao-museu-baldio-na-ccmq

Fotos Claudia Zanatta e João Barata