MUSEU BALDIO é um museu vivo, a céu aberto, colaborativo e participativo. Com acervo de ações poéticas entre as pessoas, naturezas e espaços de Alvorada/RS. É um museu da arte de construir memórias, cuidar da terra, preservar culturas, naturezas, experimentar espaços vivos com arte, cura, fuga, poesia, convivência, reencantamento, pesquisa e bioconstrução social. A museologia baldia é um labirinto promotor de encontros com a paisagem. Caminhar, observar, interagir com o entorno, contar histórias, deslocar objetos, plantar, criar vínculos e novos sentidos aos terrenos baldios produtivas e “improdutivas”.

O MUSEU BALDIO se constrói em lugares onde a arte não existia. Em processos e contextos criativos, com objetos ou não, artistas, público e a natureza tocam as obras do novo museu. Espaços físicos, virtuais, sociais e psicológicos são ocupados com práticas da cidadania e participação comunitária. Os artistas baldios trabalham ética e criticamente entre águas, terras, ruas, terrenos baldios, becos, aplicativos, hortas, paradas de ônibus, calçadas, lixo, pátios, rádio comunitária, postes, canteiros, bares, internet, jardins, florestas, vagas, instituições públicas, organizações, áreas poluídas, degradadas, voçorocadas.

Um museu baldio porque Alvorada/RS não tem museu, teatro e nem cinema. O museu do expandido contempla o futuro, atento às urgências do agora, não apenas interessado na “inclusão” e representação, mas em desenvolver alternativas que ainda não vivemos, ou não alcançamos, caso existam. Pertencimento.

A analogia entre badlands e Alvorada trata da relação entre as características do solo (badlands: port. terras ruins, terras baldias, terras improdutivas), e os índices sociais de Alvorada. De acordo com os diagnósticos do Sistema Nacional de Informações de Segurança Pública, de 2015 (SINESP) a 2019 (IPEA), Alvorada é a cidade da região sul do País que apresenta os piores índices sociais, de modo consequente, os mais baixos pontos de cultura. Isso fez a necessidade de nos olharmos como museus ampliados na cidade, iniciado nas nascentes, iniciado dentro e fora da terra, iniciado nas pessoas que fazem do impossível a reconstrução de um mapa.

A cada habitante, um museu. As aproximações entre pessoas, culturas, espaços e memórias criam novos museus, movimentos, redes afetivas, terrenos de humanidade. A seguir, na galeria informal, um acervo online com histórias, intervenções, videoclipes, esculturas, dispositivos utópicos, registros, redes sociais, lixos, poemas, documentários, desenhos, caminhadas, elementos urbanos, artesanatos, lambes, relatos, fotografias, projetos, entre outras. Obras criadas por seres vivos, artistas e humanos que produzem a cultura da vida para novos mundos na Alvorada.