Michel de Oliveira
“Trouxe comigo um pedaço do Rio Grande do Sul. E não é metáfora e tal, figura de linguagem. Trouxe mesmo, porque sou materialista.
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Antes era um pedaço bruto, cavoucado de Alvorada, sem mistura nenhuma. Um pedaço mesmo do Rio Grande do Sul, já falei.
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De lá, do Rio Grande do Sul, do pedaço que me coube, fiz o que bem entendi, porque agora é meu. Ando assim possessivo.
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Então criei pequenos planetas imaginários, feitos do barro, incertos e disformes. Mas não modelei homens nem mulheres, porque me cansam muito.
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São planetóides de fuga, para um universo interior e particular, sem órbita. No vazio oco deles, em silêncio, guardarei pequenas saudades.”
Michel de Oliveira, 2019
(ceramista, escritor e fotógrafo)



