Núcleo de Instauração em Cerâmica Artística – NICA

DESFORNO, tijolos que um dia deram forma a um forno agora tombado mantem-se vivo amparando cumbucas argilosas que ainda seguirão chegando.

Núcleo de Instauração em Cerâmica Artística – NICA

Andreia Navarro, Anelise Krüger, Bruna Freitas,  Carusto Camargo, Daniela Vigo, Gisele Verardi Joaquim, Luiza Griebler, Marla Pristch, Moysés Victorino, Silmara Zago, Valéria Lang

“Através dos tijolos que registram em si as marcas do fogo, mantém-se vivo um forno tombado, agora reconfigurado como um recipiente para cumbucas que seguem constantemente sendo geradas pelo coletivo do NICA. Feitas à mão a partir do barro coletado de terrenos baldios e ainda cruas sobre o forno desmontado, como em espera para queima, convidam um olhar sobre a transformação dessa matéria: do barro bruto à argila, que pela mão toma forma de cumbuca. O barro antes da cerâmica é parte da vida cíclica, feito de restos decompostos, poeira e água, guarda a memória dos minerais, animais e vegetais. Moldar o barro e voltar a ancestralidade, nas pontas dos dedos a memória do gesto repetitivo: tatear, deixar rastros, imprimir, penetrar no tempo e no espaço. Brincar de ser criança, ser tecido da vida e da morte, o voltar a ser novamente barro, o ser amorfo. Com as cumbucas, as trocas, o alcançar o outro no côncavo de suas mãos. Representam e contam as histórias dos lugares que os barros habitaram. O que as esperam? Voltar a ser terra, ser outra coisa ou pelo fogo serem cozidas?”